Um dia, um poema
Gosto quando voas.
Também gosto quando caminhas sob a terra.
Seus pés corretos têm a leveza de folha seca.
Desnecessário lentes para flagrar seus gestos, tão meus.
É tarde.
É tarde e você chegou cedo.
Dentro da noite veloz seu corpo de calor e calma
é manso como o mar de minha infância.
De modo que mergulhar em você
é voltar à inocência.
Na noite cai o dia
como eu em seus olhos negros.
Gosto de ti porque tu estás quando não és
e és quando não estás.
Gosto de ti porque tu és (sendo).
Rio, 17-01-2005
